Boris Feldman alerta sobre carros chineses que estão dominando o Brasil

Boris Feldman Carros chineses

Á chegada dos carros chineses trouxeram preço competitivo, tecnologia de sobra, uma enxurrada de lançamentos e muitas dúvidas na cabeça de consumidores de todo o país: as marcas chinesas chegaram ao Brasil e já fazem parte da paisagem das ruas. Mas, em uma conversa recente sobre o assunto participando do podcast Irmãos Dias, o especialista em automóveis Boris Feldman lembrou que a história de um carro não termina na hora em que ele sai da concessionária. É depois que as perguntas mais importantes aparecem: e se faltar peça? E quando for hora de vender?

O que está por trás da euforia

É fácil entender por que esses carros chineses chamam tanta atenção. Segundo o especialista, eles chegam com visual moderno, muitos itens de série e preços que pressionam as marcas tradicionais líderes do setor em nosso país. Só que, segundo Boris, boa parte do sucesso vem de um fator simples: elas são novas. Os elogios do começo, na avaliação dele, ainda não passaram pelo testes mais duros, que são o do tempo e da experiência de uso.

O teste da reposição de peças dos carros chineses

A principal dúvida apontada por ele é a das peças. Boris diz que o problema de verdade só vai aparecer quando os carros chineses começarem a precisar de reposição em maior volume. Ele lembra que, mesmo as marcas tradicionais, como Volkswagen, Fiat, GM e Ford, enfrentam falta de peças de vez em quando. A diferença, segundo ele, é a estrutura. Essas fabricantes estão há décadas no país, conhecem o mercado e têm uma rede de concessionárias consolidada. As chinesas, com poucos anos de Brasil, ainda estão construindo a delas, e por isso tendem a sofrer mais quando algo dá errado.

Em termos práticos, isso importa porque comprar um carro é também comprar a capacidade da marca de resolver problemas. Rede de oficinas, estoque de peças e mecânicos treinados fazem diferença no dia a dia de quem usa o carro e ajudam na consolidação de mercado.

Quem parece mais preparado aos olhos de Boris Feldman?

Perguntado sobre qual das duas, BYD ou GWM, está melhor preparada para o pós-venda, Boris responde sem hesitar: a GWM. Porém, ele amplia a comparação trazendo ao bate papo a marca Geely, que, segundo ele, tem uma vantagem muito importante: a parceria com a Renault. Na avaliação dele, as concessionárias da Renault é que estão cuidando da manutenção dos carros da marca, e para reforçar ainda mais a sua posição, a Geely comprou 26% da fábrica da Renault no Paraná, onde passará a produzir seus carros. Para ele, essa estrutura local pode ajudar a marca a crescer de forma mais sólida e segura, distanciando-a de suas concorrentes. Boris inclusive menciona que atualmente na China a Geely está na liderança de mercado quando o assunto é carros chineses elétricos.

Uma chegada em massa

Outro dado que chamou a atenção na conversa é o número de marcas. Segundo Boris, já são quase 15 chinesas operando no Brasil. Ele arrisca uma previsão forte: acredita que elas vão dominar a indústria automobilística. É uma opinião dele, mas que ajuda a entender o tamanho da mudança que o mercado vive no setor.

O luxo também veio da China

A chegada não se limita aos carros acessíveis. Boris cita marcas que já vendem modelos premium, como a Denza, que, segundo ele, aproveitou a tecnologia da Mercedes para criar carros de luxo. Os preços, de acordo com ele, começam em cerca de R$ 300 mil.

Mesmo assim, ele acredita que é cedo para ver uma troca em massa. Quem tem um Porsche, um Audi ou um BMW dificilmente vai abrir mão do carro para ter um chinês, pelo menos por enquanto. Cada caso é um caso, mas, para ele, ainda é prematuro falar em migração entre esses públicos.

E na hora de vender?

Aqui está um dos pontos mais importantes da conversa. Boris afirma que os elétricos mais baratos, como um modelo de R$ 150 mil, perdem pouco valor. Pelas contas dele, todo carro perde cerca de 20% assim que sai da concessionária, o que levaria um carro de R$ 150 mil a algo perto de R$ 120 mil, e depois mais cerca de R$ 10 mil por ano. Já nos elétricos caros, acima de R$ 500 mil, como os de marcas alemãs, a desvalorização é bem maior: ele fala em variação que chega até os 50% em dois anos.

Ele defende que, com o tempo, isso deve melhorar, já que a bateria pode ficar mais barata e o valor de revenda pode subir. Mas, enquanto isso não acontece, o cuidado vale principalmente para quem pensa em um elétrico de preço alto.

A lição da Hertz

Para mostrar como o mercado pode ser sensível, Boris conta o caso da Hertz, uma das maiores locadoras do mundo. Segundo ele, a empresa comprou uma grande frota de elétricos nos Estados Unidos, mas percebeu que os clientes só alugavam os carros para andar na cidade, e não para viajar. Diante disso, vendeu de uma vez uma grande parte da frota, o que derrubou o preço dos usados. A moral da história, na visão dele, é que uma oferta grande demais de carros usados pode desorganizar o mercado inteiro.

Por que os chineses não chegam aos EUA

Na reta final, a conversa muda de continente e um dos anfitriões do podcast comenta que, em uma viagem aos Estados Unidos, viu muitos Teslas em contra partida quase nenhum veículo BYD ou GWM. Boris explica o motivo: as tarifas são altas e dificultam e muito a entrada das marcas de carros chineses por lá. Enquanto isso, a Tesla vende normalmente no Brasil. Para ele, a conta não fecha para todo mundo: o mercado americano protege o seu espaço, e o brasileiro continua aberto.

Boris Feldman carros chineses

O que levar em conta antes de comprar um carro chinês segundo Boris Feldman

A conversa de Boris não é uma condenação aos carros chineses, e sim um convite à cautela. Antes de fechar negócio, vale muito a pena olhar para o que vem depois da compra: onde ficam as oficinas autorizadas, quanto tempo a marca leva para entregar peças, como o modelo tem se comportado na revenda e qual é a garantia oferecida. São perguntas simples, mas que fazem toda a diferença no custo real do carro ao longo dos anos.

Quer ver a conversa completa? Assista ao vídeo original em Link do vídeo, no canal Irmãos Dias.